Matheus e Ilva Histórias de pessoas, histórias de Imigrante

Histórias de Imigrantes e Histórias de Vida. Sobre Imigração Italiana no exterior

A cargo de Marisa Peruzzo

                           Tradução aos cuidados de Ilva Gava Benini   

Gosto de transmitir e partilhar, experiência, eventos que captam o meu interesse, que afetam o meu estado de espírito e o meu emocional, e que eu sinto e considero historicamente válido, portanto dignos de valorização. Geapolis me permite fazer isso atravéz de relato da história verdadeira que despertou em mim tanto interesse e profunda emoção.

Empatia, interioridade e silêncio são pilares essenciais de minha vida. Interruptores que movem a produção de uma obra. Certamente a escrita permite entrar nas esferas mais profundas e secretas da alma. Através da escrita, você também poderá modificar, aperfeiçoar relatos interpessoais. Assim encontro a chave de enriquecimento pessoal que me oferece a mente aberta e a satisfação espiritual. ( Marisa Peruzzo)

De Matheus para Matheus. …Dal Veneto para o Brasil Viagem de ida e volta

Com Marisa Peruzzo, Matheus Benini e Ilva Gava, nos contam.

Há alguns anos atrás minha filha, me falava de um colega seu. Um brasileiro de nome Matheus, me descrevia como uma pessoa empenhada, engajada, disposta, amigável e simpática.

Me foi possível conhecer Matheus Benini pessoalmente, pouco tempo depois, quando veio a residir a Piazzola Sul Brenta, com sua companheira, Marizete, no apartamento vizinho da minha filha, Cláudia.

Eu estava curiosa, intrigada com seu sobrenome Benini, porque não é do idioma brasileiro. Então pedi a ele que me explicasse.

Matheus se demonstrou entusiasmado em poder satisfazer meu desejo e imediatamente começou a relatar. Matheus Conta:

Matheus Benini com a companheira Marizete

Agosto de 2022, Piazzola Sul Brenta. Marisa com a família Benini.

``Agora que vivo na Itália desejo aprofundar e esclarecer o tanto quanto for possível, sobre acontecimentos relativos a minha família de origem. Minha mãe Ilva foi que me ajudou, fornecendo informações em seu poder particular. Trata-se de um manuscrito de Maximo Benini a ela deixado, Sacerdote no Brasil, a qual em língua portuguesa, reporta algumas memórias da família.” (Matheus Benini)

O testemunho de Matheus demonstra como o sentimento de origem é algo íntimo e profundo. É uma história de viagem com bilhete de ida e volta.

Atualmente Matheus mora em Piazzola Sul Brenta, Província de Padova. É chefe, consultor comercial de uma empresa que produz grelhas para restaurantes.

O seu trabalho requer frequentes viagens para as regiões do centro e sul da Itália, incluindo ilhas, Espanha, Portugal e no exterior o Brasil.

“As minhas raízes fundam-se mais precisamente, no Veneto. Meus antepassados Benini são provenientes de Província de Belluno , de Cesiomaggiore, uma cidade próxima a Feltre.

Na verdade mio trisavô Matteo Benini , filho de pais desconhecidos era nascido a Venezia, onde foi registrado com o mesmo nome e sobrenome. Após a provável adoção foi transferido a Cesiomaggiore, Belluno”.

Conforme Matheus fala, digita velozmente ao celular e depois me mostra a imagem que segue:

“Agora que vivo na Itália desejo aprofundar e esclarecer o tanto quanto for possível, sobre acontecimentos relativos a minha família de origem. Minha mãe Ilva foi que me ajudou, fornecendo informações em seu poder particular. Trata-se de um manuscrito de Maximo Benini a ela deixado, Sacerdote no Brasil, a qual em língua portuguesa, reporta algumas memórias da família.”

La testimonianza – O testemunho de Matheus do manuscrito, consegui refazer o trajeto de Matteo Benini, o bisavô de meu pai.

Em 1876 partiu de Cesiomaggiore – Belluno até a porto de Genova onde imigrariam para o Brasil, com pouco dinheiro, e com a mulher Giovanna de Paoli e os filhos pequenos e pouco dinheiro no bolso.

Não possuímos testemunhas sobre, mas é possível supor que para enfrentar um longo trajeto até o Porto de Genova na zona de Belluno tenha se formado uma caravana de carruagens puxadas por animais de carga (cavalos) carregados com bens domésticos e pessoas.

Chegando ao porto de Genova como de costume, a espera foi longa, precisaram esperar muito tempo para partirem. Então Matteo para prosseguir, sobreviver com sua família se prestava a trabalhar temporariamente. Foi preciso também vender, trocar, muitos itens pessoais por necessidade, muitas vezes carregados de recordações e emoções intimas e queridas.

Finalmente me 1877, chegou a hora de embarcar.

Na permanência em Genova, na barraca em que estavam abrigados durante a longa espera, Giovanna De Paoli deu a luz a uma menina, mas não havia tempo de fazer o passaporte ou registro. Então Matteo e Giovana colocaram a recém nascida dentro de uma caixa, tipo baú, onde ficou escondida todo o tempo de viagem até chegarem em Porto Alegre – RS – Brasil.

A criança recebeu o nome de Rosália. Decidiu abraçar as ordens monásticas (religiosas) e com o nome de Amélia. Onde fundou o convento das freiras na cidade de Pinto Bandeira, a Congregação São José. A sua longevidade no Brasil, permitiu que comemorasse os cem anos da Imigração Italiana no Brasil. Viveu preservando sua lucidez até os 109 anos.

Minha mãe Ilma Gava Benini, relembra muitas vezes da Irmã Amélia, porque foi ela que decidiu que devia chamar-me de Matheus, antes que eu nascesse. Ela preserva uma memória intensa e grata a ela.

Depois de ter conhecido Irmã Amélia, meu pai Agostinho, durante o período de noivado com minha mãe, visitaram irmã Amélia.

Elas faziam trocas regulares de cartas.

Ela ainda guarda todas essas cartas. Apesar de não morarem tão distantes não era possível visitá-la seguidamente, os meios para transporte era meio dificultado e escassos, e nem através de telefone era fácil. Entre esses aspectos, dias mais bonitos passados na família, o que mais me preocupa de perto. Depois de algum tempo casados, meus pais e meus avós se dirigiram a uma visita. Irmã Amélia, ao ver minha mãe exclamou:

– Ilva está grávida? Não respondeu minha mãe. – Sim disse ela, estas esperando um menino e seu nome deve ser Matteo em homenagem ao meu pai. Minha mãe, transcorridos alguns dias descobriu que estava grávida, e aqui estou.

Muitos imigrantes chegaram em Porto Alegre, vindos da Itália, todos, todos mesmo, mantiveram a memória de sua chegada, um lugar estranho, calor, onde a língua falada era diferente, desconhecida, onde não entendiam nada.

Uma enorme quantidade de pessoas agrupadas nos barracões onde eram efetuadas a primeira inspeção higiênica e médica, em seguida eram registradas as quadras e a sinalização da terra a eles atribuídas e que deveriam trabalhar e ser resgatada em 10 anos.

Esta operação ocorreu em muito tempo, necessitando mais um mês, durante o qual eles dormíamos no chão ao lado das bagagens. Contendo objetos sacros de suas religiões, ferramentas para o trabalho, roupas, documentos, remédios e utensílios de cozinha. O meu trisavô Matteo, junto com a esposa Giovanna e com um grupo de outros imigrantes italianos, foram destinados para uma cidade chamada Montenegro. As crianças, mulheres e idosos eram transportados em cavalos, e os outros porém seguiam a pé. Matteo e Giovanna haviam duas crianças transportadas dentro de cestas no lombo dos cavalos. Ao pararem o comboio para descansarem, encontraram os dois pequenos mortos de calor, de fome e sufocados. Assim, se aproximando de uma casa, pediram aos proprietários permissão para cavar um buraco e enterrar na terra os dois pequenos. Então na viagem todos tomaram seu destino.

As pessoas, os irmãos foram separados. Alguns foram a Forrameco, Nova Milano e outros parentes de Giovanna de Pauli foram para Conded’Eu – (Garibaldi hoje).

Família Benini, mãe, pai de Agostinho há mais ou menos 50 anos atrás,com os 11 filhos

Matteo Benini foi destinado ao quarteirão nº56 a Nova Trento, e os outros em Nova Roma. Na terra que lhe foi atribuída começou imediatamente com a plantação de café, com quatro quilos de sementes. Então com a técnica de rotação continua com outra plantação, alternando batatas, arroz e cana de açúcar. Nos primeiros tempos viviam em ma casa de madeira com o teto de palha, Matteo que também era uma excelente pedreiro, decidiu construir um muro de tijolos em torno de 2 hectares de terra.

Segue-se a composição da família Benini, integrada em algum fato.

Uma característica única da família Benini são as vocações religiosas, bem, sete. José filho de Matteo; Rosália, irmã Amélia, fundadora da Congregação das Irmãs São José, filha de Máximo, filho de João; Gentil Domingo e Reinaldo; e uma freira filha de Vitório e irmã Teresa, filha de Matteo na congregação São José. Os sacerdotes atuavam como Jesuitas e missionários em congregações Maristas e em várias instituições.

E finalmente voltamos para meus pais.

Agostinho e Ilva são meus pais.

Atualmente vivem em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul – Brasil. Onde eu e minha irmã Bruna nascemos. Ambos vivemos na Itália agora.

Bento Gonçalves, é uma cidade com 125 mil habitantes. Capital Brasileira da Uva e do Vinho, no meio de vales e colinas verdejantes. É o principal centro produtivo de uvas e vinhos. Uma cidade totalmente importante para a viticultura, no centro em frente a prefeitura há uma fonte de vinho que sai de uma torneira. Tudo isso construído com o suor de nossos companheiros imigrantes, que ali se estabeleceram. Uma cidade com mais de 150 cantinas de vinho que sedia a mais importante festa Nacional do Vinho. Dentre várias indústrias a que se destaca é a Indústria Moveleira. A cidade tem como Padroeiro Sant’Antônio de Padova, cujos sinos são vindos de Bassa no Del Grappa – Itália

De Piazzda Sul Brenta a Bento Gonçalves, linha direta… Ilva, a mãe de Matheus Benini, si Racconta.

 Piazzola sul Brenta, 22/8/2022

Eu sou Ilva Gava Benini, mãe de Matheus Benini e de Bruna Benini, nascida no ano de 1954 no distrito da cidade de Guaporé, Rio Grande do Sul, Brasil. Casada com Agostinho Benini a 43 anos. Meu avô era italiano, de Godega Sant’urbano Treviso. Era casado com Maria Donatti, região do Trento. Não tive a possibilidade de conhecê-los, porém sempre tive o desejo dentro de mim de saber como eram e de onde provinham, infelizmente não tenho quem possa me informar a respeito.

Ilva Gava com o esposo Agostinho Benini e os filhos Matheus e Bruna de fronte sua casa em  Bento Gonçalves – Rio Grande do sul

Este amor pelos meus antepassados, pela terra de origem, transmiti aos meus filhos , tanto é verdade que eles realizaram o percurso inverso dos bisavós, e hoje vivem na Itália.

Estou aqui na Itália com meus filhos e escrevo. Enquanto escrevo me emociono com tudo o que escrevo. Estamos visitando muitos lugares e encontrando muitas pessoas e sinto seguidamente uma estranha sensação, me parece já ter visto e conhecido tudo isso, porém são coisas vistas pela primeira vez.

 Agosto 2022 Ilva Gava com o marido Agostinho Benini eo filho Matheus  juntos em Veneza.

Agosto 2022 Ilva Gava com o marido Agostinho Benini eo filho Matheus e Marizete juntos em Veneza.

Gosto da vida. A natureza. Observar o céu, e compreendo que na vida as vezes não é como gostaríamos, mas também não podemos deixar de ter nossos sonhos e desejos. Existem altos e baixos nas nossas vidas, superar os difíceis momentos, nos torna mais fortes, nos faz entender que não devemos desistir jamais, mas sim ser persistente. Devo dizer que minha fé me deu forças de prosseguir. Sei que tudo é passageiro, digo também que os sofrimentos nos deixam marcas, que não podemos esquecer nem apagar. Eu me considero e sou uma vencedora, porque na minha vida venci uma batalha. Por isso agradece sempre, todos os dias a Deus. Amo a minha família, meus filhos, meu esposo. Eles são a razão de tudo. É um pouco difícil falar de mim mesma, prefiro que façam, quem realmente conhece meu coração e tira a conclusão de quem sou e como sou.

Gosto de trabalhos artesanais, pintar quadros, madeira, vidro, cerâmica, trabalhar com papel, cartões, gesso, tecido, sobretudo pintar a óleo, aquarela e com tinta acrílica. Gosto de musicas. Outra paixão é a jardinagem, o cuidado com as pessoas e o lar. Quando eu tinha nove ou dez anos, confeccionava chinelos de pano, utilizava uma de costura a mão. Possuia uma manivela para costurar. Aprendi a fazer correntinha de crochê, tricô e fiz curso de bordados. Comecei a pintar sozinha, observando o que via nas vitrines, depois tentava fazer em casa o que havia visto. Inclusive fiz um curso de pintura mais adiante, não continuei, pois no momento não podia mais dispor de dinheiro para pagar.

 As criações artesanais de Ilva

Meu pai Lodovico Gava, nascido em 1899, faleceu com cinquenta e sete anos, no dia 30/11/1956. Lembro pouco dele, eu só tinha dois anos, minha mãe teve sete filhos e criou os sete filhos sozinha. Na verdade seis, meu pai era vivo quando uma faleceu, trabalhava em atividades agrícolas. Na idade de oito ou nove anos, eu ajudava com os afazeres da casa e na roça, entregava leite na casa das famílias todos os dias, ao mesmo tempo estudava. Sou formada em administração. Eramos em sete irmãos, dois rapazes e cinco moças, os dois rapazes já falecidos. Um tinha 24 anos, acidente de caminhão, na cidade de São Paulo. O outro setenta e dois , problemas cardíacos, faleceu faz um ano. A menina mais velha de todos, foi atropelada por um caminhão, faltava poucos dias para fazer a 1ª Comunhão. Minha mãe estava grávida de 3 meses de mim e tinha um irmão meu de colo, foi fazer consulta rotineira ao bebê, na mão tinha o pacote do vestido que comprara para a primeira comunhão. Vendo minha mãe, minha irmã, mais cinco ou seis coleguinhas saíram ao encontro de minha mãe, curiosa por ver o vestido, pois morávamos em frente a escola. Ao atravessar a rua, perdeu o chinelinho, voltou para pegar e um caminhão atropelou ela, matando-a, meu pai era vivo na época.

Ilva Gava pequena

 Gava na adolescência

A juventude de Ilva

A vida não foi fácil para minha mãe e nem para nós filhos, sem a presença do pai. Porém nunca nos faltou nada....

A vida não foi fácil para minha mãe e nem para nós filhos, sem a presença do pai. Porém nunca nos faltou nada. Tínhamos o leite, minha mãe fazia o queijo, porcos e salames, tínhamos uma boa horta, tínhamos as frutas. Se fazia o plantio de pasto para as vacas. Faziamos silagem do mesmo, eram feitas as chamadas medas, plantava-se um posto de eucalipto na terra e se enchia ao redor de feno (pasto para as vacas) era a silagem para o inverno. Tínhamos plantação de acácias, na idade adulta das mesmas se tirava as cascas, eram secadas e vendidas para o curtume, onde eram utilizadas para um couro artificial de bolsas, cintos e calçados. Crescemos e fomos criados com pouco, mas se tinha o suficiente para vivermos felizes. Minha mãe Angelina Tomiozzo Gava, era nascida aos 25 de janeiro de 1919 e faleceu em 16 de junho de 1999. Penso que os momentos bons e ruins da vida, são passageiros, assim como as dores não devem durar.

Recordação de escola

Ilva aos 19 anos, época de namoro com Agostinho

Ilva setembro de 2022 em sua casa, Bento Gonçalves

Gosto da vida. A natureza. Observar o céu, e compreendo que na vida as vezes não é como gostaríamos, mas também não podemos deixar de ter nossos sonhos e desejos. Existem altos e baixos nas nossas vidas, superar os difíceis momentos, nos torna mais fortes, nos faz entender que não devemos desistir jamais, mas sim ser persistente. Devo dizer que minha fé me deu forças de prosseguir.

Mas percebo que os dias passam voando, e que o que importa é que devemos viver sem nos preocuparmos demais, sem inveja, sem rancor, mas com serenidade.  Sou feliz em poder estar com meus filhos, um a direita e outro a esquerda do meu lado. Amo os dois com a mesma intensidade. Ao completarem a maior idade lhes disse, agora são maiores, até agora respondia por vocês, o que fizerem daqui pra frente, vocês serão responsáveis, pensem bem antes de agir, mas sempre estarei aqui. Ho ondeci nipoti: mulheres e três homens. Matheus e Bruna, não possuem filhos. Se me derem netos, serei feliz em ajudá-los a criar com amor meus netos.

Ilva Gava Benini

Piazzola Sul Brenta 22/08/2022

Com Marisa Peruzzo algumas provocações para ir mais longe…

Enquanto escuto atentamente a história narrada de Matheus, minha mente é levada pela imaginação. E meu pensamento torna de vez enquanto como uma curtametragem sobre a imagem de Cesionaggiore, como podia ser na segunda metade de 1800.

Aquele Vilarejo perdido em uma Zona Colonial, sem recursos, por outro lado uma grande realidade semelhante, dispersa no território Italiano.

Podemos imaginar o forte valor exercido nas expectativas da vida dos habitantes daquele lugar. No aprendizado que o Brasil oferece, tanto bem de Deus, como era divulgado no documento acima.

Penso também nos imigrantes que chegaram a Itália e na Europa, esperando encontrar aqui o Eldorado. No entanto uma diferença significativa. O Brasil convidava, prometia, aqui agora isso não acontece.

Tenho diante de mim a visão de uma quantidade de pessoas miseráveis de todas as idades em longas e cansativas caminhadas a pé, em vagões, em navios. Partem levando consigo os principais valores, os afetos mais queridos, mulher, filhos e a fé, algum objeto ou imagem simbólica, o trabalho, ferramentas, força física, empenho, vontade e persistência de uma vida melhor.

Sobretudo este último, o trabalho, sua energia e determinação eram os pilares que sustentavam Matteo Benini no seu duro caminho percorrido sobre o qual repousa a existência de toda sua família.

Monumento aos emigrantes ( praça Aquiles Mincarroni) Bento Gonçalves.

Uma comparação espontânea trazido com a realidade e o contexto atual. São valores que ainda caracterizam nossa sociedade. Encontramos ainda hoje uma forte resistência ao esforço em dificuldades e superação de dificuldades. Acomodar-se sobre os louros é uma expressão desconhecida em 1800? Permanece aberta a consideração sobre a comparação, com fé e afeto. São valores que ainda caracterizam o nosso atual contexto social. Ilva, Matheus e eu começamos outra questão. A numerosa filiação. Os ancestrais de Benini viveram do duro trabalho, de esforço e dificuldades, no entanto traziam ao  mundo muitos filhos. Sete, nove, onze. Nos dias de hoje, o nível de vida é melhorado completamente seja na Itália ou no Brasil, se observa uma tendência inversa. Um, dois no máximo três filhos por casal. O conselho de especialistas em ciências sociais e ou antropologia cultural para esclarecer a controvérsia. Sobre o número de religiosos na família Benini, temos uma explicação. Ser parte de uma ordem religiosa poderia oferecer dupla garantia de enriquecimento cultural, frequentando um curso de estudos e o pão assegurado com o excesso de pobreza através de esmolas, por exemplo.

José Pellizza de Volpedo, membros cansados (1904) óleo sobre tela…127×164 cm, coleção privada.

Além disso pensamos sobre o nome Agapito ou (Agabito), pouco usado na Itália e também no Brasil. Considerada  sua derivação do grego Agapétos, vindo em italiano o latim Agapétus ou Agapítus, significa amado, desejado, divertido, amável.

Sant’Agapito  mártir a Roma decapitado em 274 no tempo do Imperador Aureliano.

Muito provavelmente Matteo não conhecia tudo isso, porém, sabemos que em  Cesiomaggiore, sua terra  de procedência existe ainda hoje um Capitel dedicado a este Santo, Está aqui a explicação.

Matteo e Giovanna estavam no Brasil, mas não foram extintos de suas memórias a zona de origem. Assim como a recordação do Capitel di Sant’Agabito.

Atribuir a um filho um nome bem como um significado religioso é a certeza da ligação do apego a terra deixada tão distante, quase um laço de sangue com a terra natal.

Finalmente uma consideração sobre a Irmã Amélia, referente a previsão, revelando a gravidez do futuro feto. Um jogo das probabilidades acertadas. Só um desejo agora chega a conclusão da sua existência, muito intensa aquela árvore que ele tinha recebido, a primeira energia de seu pai Matteo. A gravidez de Ilva permaneceu o único ponto de apoio, a única possibilidade.

Ao concluir, faço minha as palavras do Cardeal Africano Robert Sarah. Precisa fazer de tudo, porque os humanos possam permanecer na terra que os viu nascer.

Marisa Peruzzo

Piazzola sul Brenta, 21/8/2022.

Domenico Ghidoni.. Imigrantes (1891) Bronze. Moldagem de 1921x180x93… Brescia, Museu de Santa Júlia

Os imigrantes de Ghidoni queriam trazer o drama que deixaram sua terra, e tiveram um bom sucesso para a exposição de Brera, também relatando a vitória de um prêmio. O artista já tinha concebido o trabalho em 1887. Sujeito de sua escultura Eu sou uma mãe como filha adolescente sentadas (e já exaustas, a menina adormece) a espera pela partida. Com gesto carinhoso a mãe acaricia a filha, mas o olhar é pensativo. Provavelmente já visava as dificuldades de travessia transoceânica ou a ansiedade em relação a isso, no novo mundo, a aclamação da critica era esperada. Quem olha para a figura de uma mulher moldada por Ghidoni, o crítico Pompeo Bettini, escreveu: Pense na pobreza cheia de coragem, com um ato cansado mas resoluto da proteção, que a mulher vigia uma adolescente, que dorme perto dela em pose natural de cansaço, como quem pensou no tempo dos primeiros anos de adolescência, ela conhece as dificuldades.